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Minha História Profissional - Cada tijolo colocado fez a diferença.

Minha História Profissional - Cada tijolo colocado fez a diferença.
Gustavo Gois
set. 29 - 10 min de leitura
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Nasci e fui educado num lar cristão. Aliás, sou filho e irmão de Pastores. Minha família sempre foi muito envolvida nos ministérios ligados às igrejas.

            Meu pai sempre desenvolveu seu ministério ligado ao evangelismo e missões. Foi nesse contexto que cresci, tendo como hóspedes na nossa casa pessoas extremamente envolvidas com essas duas áreas, de renome nacional e internacional, de diversas denominações evangélicas, agências missionárias, etc.

            Nesse contexto, o sentido de servir sempre esteve ao meu lado, como se fosse um irmão ou amigo. Ministerialmente, desde a infância, fiz de tudo um pouco: teatro, coral, jogral, time de futebol, evangelismo nas ruas, grupo de King’s Kids, música, montar e desmontar o som da igreja, organização de acampamentos, discipulador, líder de célula, enfim, muitas coisas.

            Sinceramente, não sei dizer ao certo porque optei em estudar Direito. Lembro apenas que meus pais diziam que eu era muito argumentativo (para não dizer briguento, não é?) e persuasivo. Assim, na visão deles, eu poderia ser um bom advogado. Nunca fiz teste vocacional ou passei por processos de identificação de habilidades e perfis, como é feito hoje. Sei apenas que me inscrevi no vestibular, passei nas duas Universidades públicas para as quais me inscrevi e me matriculei aos 17 anos.

            Meu curso era noturno, o que, à época (anos 90), significava conviver, em geral, com gente mais velha. A opção deveu-se ao fato de que eu realmente precisava trabalhar durante o dia, já que meu pai não tinha condições de me manter, nem de arcar com despesas relativas à minha idade. Enfim, aos 17 anos saí de um mundo adolescente para encarar, de uma hora para outra, um mundo adulto, cheio de responsabilidades e obrigações, num contexto que era muito diferente daquele que eu havia sido criado.

            Bem à época da minha entrada na Faculdade de Direito, era o meu momento mais intenso do ponto de vista ministerial. Muitas atividades, relacionamentos, compromisso com Deus, enfim, era algo mágico e encantador. De uma hora para outra me vi numa tremenda questão paradoxal: a igreja representava vida, alegria, comunhão com o Pai e desfrutar de amigos especiais; a universidade era um lugar sombrio, com pessoas que não eram do contexto em que eu havia vivido, com valores e princípios distantes dos meus e, o pior, o final de um dia extenuante.

            O resultado é que era muito difícil frequentar a Universidade. Tudo era ruim. O curso era chato, os conteúdos irrelevantes, as pessoas diferentes, o horário cansativo. Passei a faltar muito, e quando ia, acabava dormindo ou ficava na cantina assistindo jornal. Atividade na igreja ou festa de aniversário? Não tinha dúvida. Faltava às aulas na certa!

            Comecei a achar que isso acontecia porque tinha chamado ministerial. Era óbvio! O desinteresse era espiritual! Era Deus falando comigo! Terminei o curso de Direito empurrado pelos meus pais, em especial pela minha mãe. Lembro-me que no dia da minha colação de grau teve evento dos Jovens. Como era possível minha mãe querer que eu fosse à colação de grau? Um absurdo!

            Durante todos os anos da faculdade trabalhei em escritórios de advocacia que atuavam na área do Direito Bancário. Execuções, Ações de Cobrança, Penhoras, Arrestos, Títulos Executivos Extrajudiciais, Judiciais e Monitórios. Enfim, minha sensação era de fazer muita gente sofrer com o trabalho. Apesar do desinteresse, recebi incentivo e, ao final do quinto ano de Direito, um convite para me tornar sócio! “Fantástico” - qualquer um diria, não é? Mas, não era isso que estava no meu coração.

            Entendia que se eu aceitasse o convite viria a ser um bom advogado, ganharia dinheiro como esperado e construiria uma carreira sólida. No entanto, minha sensação era de que eu faria bem para mim, mas não para outras pessoas. Isso me incomodava. Eu precisava ter um propósito maior.

            Cheguei a ser entrevistado para estudar Teologia no Seminário. No entanto, vivenciando a reunião do Presbitério, minha sensação foi que o ideal da igreja de Jesus estava longe do que eu pensava e daquele lugar. Vi muitos interesses, muita política institucional, mas pouco da vocação pastoral exercida em sua plenitude. Durante a entrevista meio que “desisti” e mostrei pouca segurança. Resultado: fui reprovado.

            Tristeza? Não necessariamente. Meu pastor disse que não queria desistir de mim e me convidou para coordenar o Ministério de Louvor na igreja local, afinal, eu estava há anos envolvido. Aceitei na hora! “Agora sim vou desenvolver aquilo para o que fui chamado”, disse sem hesitar. Ledo engano. Não é fácil ser Pastor e trabalhar numa igreja. É muita gente, são muitas vozes, muita pressão e muitos equívocos do que é ser Igreja de Jesus Cristo. Me frustrei. Percebi que se fosse Pastor, provavelmente seria mandado embora a cada 6 meses.

            Mas o Pai é muito sábio. Muito mesmo! Ele definitivamente sabe de todas as coisas e nada do que vivenciamos é desperdiçado. A igreja que frequentava tinha uma vocação social incrível! Muitos projetos, muita gente envolvida e sendo beneficiada. No entanto, todos os projetos eram executados por voluntários, gente preciosa, mas que fazia tudo com o coração, “na fé”, como diriam alguns. Os projetos patinavam, não tinham planejamento, sentido de início, meio e fim. Orçamento então? Era algo meio “extraterrestre” naquele contexto.

            Sabiamente, a igreja decidiu profissionalizar os projetos. Constituir uma Fundação que desse um padrão gerencial e profissional às iniciativas sociais. Quem poderia ser o Gerente Administrativo? Tinha que ser alguém que conhecesse o funcionamento e jeito de ser da igreja, que fosse metódico, organizado, com certa dose de intrepidez, honesto e até um pouco chato. Ser novo era um diferencial, afinal, seria construído algo do zero. Incrivelmente eu estava lá. Dentro da igreja há tantos anos, trabalhando, pronto a sair por falta de perspectivas. Fui escolhido, mesmo sem experiência e conhecimento na área.

            Me encantei pela possibilidade. Gosto muito dos pequenos começos, da estaca zero, de construir algo novo a partir do nada. Agora sim! Minha vida teria um propósito: abençoar outras pessoas com meu trabalho. O tempo foi passando, aquilo que eu aprendia no macro, em cursos em São Paulo-SP, procurava executar no micro, minha realidade, numa recém criada instituição em Maringá-PR. Muita gente me mentoriou, ajudou, abençoou, exortou, gastou tempo comigo.

            Os resultados vieram: em 4 anos um banco de voluntários de mais de 150 pessoas; mais de R$ 4 milhões captados; um Centro de Educação Infantil inteiro reformado; um acampamento construído; projetos com linhas de atuação definidas: público-alvo, faixa etária e área de atuação; crescimento de mais de 1.000% no número de atendimentos. Mas, mesmo assim,  um ciclo havia se encerrado, era necessário mais para cumprir minha vocação.

            Foi quando recebi o convite para assumir a Superintendência de Responsabilidade Social de uma das mais conceituadas Associações Comerciais no Brasil, com mais de 4 mil empresas associadas, sendo que ela era catalizadora de boas práticas da sociedade civil para influenciar a gestão e políticas públicas. Vamos nessa! Organização de eventos de alto nível, com gente muito influente na área de responsabilidade social corporativa, execução do primeiro Banco de Projetos Sociais do Brasil, premiação para as organizações mais bem geridas da cidade, participação em esferas de discussão para otimização do gasto púbico na área da assistência social. Muita coisa boa!

            Então, fecha-se mais um ciclo. Havia chegado o momento de bater asas e empreender algo próprio, espalhar todo o conhecimento adquirido. E lá se vão quase 14 anos desde então. O que temos “para hoje”? Escritório de advocacia! Sim! O Direito ganhou um outro viés. Eu não ajudo mais bancos a se apropriarem do patrimônio e dinheiro de gente em dificuldade. Agora o Direito é utilizado para potencializar iniciativas que ajudam a transformar vidas. Atuação em 12 Estados Brasileiros; mais de 40 organizações constituídas; atendimento a 3 organizações internacionais que querem abençoar pessoas no Brasil; atuação específica no Terceiro Setor e Negócios Sociais de Impacto; Atendimento pro-bono (voluntário) a dezenas de pequenas organizações e agências missionárias; elaboração de projetos que já atingiram mais de 10 milhões de pessoas em 17 países; clientes que, somados, atendem mais de 250 mil pessoas; constituição de endowments, fundos patrimoniais cujo rendimento obrigatoriamente deve ser aplicado em projetos de interesse público, oportunizando que milhões de reais possam ser captados por boas organizações e perpetuem-se ideais filantrópicos.

 

            Deus é infinitamente gracioso e criativo em nos abençoar, usar cada vivência, cada experiência, sucesso ou fracasso, como um “tijolinho”, que vai construindo cada detalhe de nossas vidas e, na carreira, esse processo definiu como atuo hoje.  Basta a gente desejar e colocar esses sonhos diante dEle, não desanimar, perseverar, crendo que “há um tempo para todas as coisas”.


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Gustavo Gois

Advogado Terceiro Setor, Gustavo Gois Advocacia

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